Qual a diferença entre jejum e penitência?


Qual é a definição de jejum no contexto bíblico? E de penitência? Em que situações o jejum pode ser considerado uma forma de penitência? Todas as penitências incluem jejum, ou há outras práticas associadas à penitência? Existe diferença entre jejum voluntário e jejum obrigatório no contexto religioso? O jejum tem benefícios espirituais semelhantes aos da penitência? Em textos religiosos, há distinções claras entre jejum e penitência? Como o jejum e a penitência podem impactar a vida cotidiana de quem os pratica?

 

A Igreja nos propõe o jejum como uma maneira de nos educar, de aprendermos a dominar o nosso corpo e também as nossas inclinações. O jejum e a penitência não são para que sintamos fome ou passemos necessidade. A penitência é “uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo o nosso coração” (cf. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1431). Ou seja, essas práticas espirituais servem para nos ajudar a encontrar Deus por meio da oração.

A Igreja “contém pecadores no seu seio” (CIC, n. 1428) e é,  ao mesmo tempo, santa e necessitada de purificação, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação. “A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os padres insistem, sobretudo, em três formas: o jejum, a oração e a esmola que exprimem a conversão” (CIC, n. 1434).

Os jejuns e as mortificações, embora sejam atos exteriores, impelem-nos à oração, a uma melhor escuta de Deus por meio da temperança, do espírito de sacrifício, de equilíbrio do corpo e da mente, levando-nos a essa conversão interior. Inclusive, recomenda-se que o gesto do jejum seja acompanhado da partilha com os necessitados do alimento não consumido. O tempo litúrgico da Quaresma tem essa dimensão penitencial de revisão interior, mas também de amor concreto ao próximo.

 

 

Por que a Igreja recomenda a prática espiritual do jejum e da penitência?

É importante saber que o jejum é uma prática muito mais interior do que exterior, não é apenas algo que se deixa de comer, mas tem um propósito: abster-se de certos alimentos. O jejum não é uma dieta, mas uma prática espiritual que visa uma intimidade maior com Deus. O jejum é para a conversão e também para que amemos mais a Deus e ao próximo. Papa Leão Magno aconselhava:

“Mortifiquemos um pouco o homem exterior, para que o interior seja restaurado. Perdendo um pouco do excesso corpóreo, o espírito robustece-se”. As práticas penitenciais são tão importantes na busca da conversão, que a observância de algumas delas foram indicadas como um dos mandamentos da Igreja. Muito mais do que preceitos, essas práticas penitenciais revelam ser busca pela perfeição no amor.

O quarto mandamento da Igreja diz que é preciso “jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja”. Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas-feiras do ano, e o tempo da Quaresma. Estão obrigados à lei da abstinência os católicos que tiverem completado catorze anos de idade, e obrigados à lei do jejum todos os católicos maiores de idade até os 60 anos começados.

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Jejum  e abstinência

A abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, devem ser observadas em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades. Na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, devem ser observados o jejum e a abstinência. (Código de Direito Canônico, cânon 1250).

No Brasil, a CNBB afirma que o fiel católico brasileiro pode substituir à abstinência de carne por uma obra de caridade, um ato de piedade ou trocar a carne por outro alimento.

Monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Canção Nova, apresenta em seu livro “Práticas de Jejum” quatro tipos de jejum, a fim de nos mostrar que todos podem fazê-lo, desde que escolha qual se adeque mais a sua realidade.

O que a Bíblia diz sobre o jejum?

O jejum é uma disciplina espiritual muito inerente em todas as igrejas de Cristo. Envolve a abstinência de alimentos e bebidas por um determinado período, praticado juntamente com a oração. O jejum é visto como uma forma de se aproximar de Deus, demonstrar arrependimento e buscar orientação divina.

Vamos explorar mais sobre o que a Bíblia diz sobre o jejum, fazendo e respondendo algumas perguntas, incluindo os principais versículos da Bíblia sobre o jejum, para entender os aspectos espirituais e práticos.

P: Quais são os principais versículos bíblicos sobre o jejum?

R: A Bíblia contém inúmeras referências ao jejum, destacando seu significado e propósito. Aqui estão os versículos principais dos Evangelhos:

Mateus 4:1-2

“Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.”

O exemplo de Jesus jejuando no deserto enquanto se preparava para iniciar seu ministério público é influente. Ele destaca o papel do jejum na busca de força e orientação de Deus.

Lucas 2:36-37

“Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Ela era muito idosa; vivera com seu marido sete anos depois do casamento, e então ficou viúva até os oitenta e quatro anos. Ela nunca deixava o templo, mas adorava dia e noite, jejuando e orando.”

Ana viveu uma vida de jejum e oração como uma forma de demonstrar devoção e fidelidade. O que ela faz aqui, por exemplo, mostra que o jejum é um meio de ter um encontro pessoal com Deus.

Mateus 9, 14-15

“Então os discípulos de João vieram e perguntaram: ‘Por que nós e os fariseus jejuamos frequentemente, mas os teus discípulos não jejuam?’ Jesus respondeu: ‘Como podem os convidados do noivo estar de luto enquanto ele está com eles? Virá o momento em que o noivo lhes será tirado; então eles jejuarão.’

Jesus explicou que não havia necessidade de jejuar enquanto Ele estava com os discípulos, mas que, após sua partida, eles jejuariam. Esta passagem indica claramente que o jejum é adequado em tempos de busca pela presença e orientação de Deus.

 

 

P: O que Jesus diz sobre o jejum?

R: Em seu ensinamento sobre como os discípulos deveriam viver, Jesus ensinou que o jejum tinha lugar em suas vidas, mas não deveria ser feito para se exibir em público. Sua abordagem ao jejum foca mais na condição espiritual interna do que em suas manifestações externas.

P: Quais são as regras bíblicas para o jejum?

R: Alguns jejuaram de forma absoluta, em que se requer abstinência de comida e água (Ester 4,16), enquanto outros fizeram um jejum parcial, envolvendo abstinência de um determinado alimento ou atividade (Daniel 1,12).

Portanto, a Bíblia não estabelece regras rígidas para o jejum, mas fornece princípios para guiar a prática, tais como:

Sincero e Voluntário: O jejum é um ato de livre-arbítrio, motivado pelo desejo de se conectar com Deus.

Crescimento Espiritual: O jejum é geralmente acompanhado de oração e busca pela orientação de Deus.

Humildade e Arrependimento: Pode ser um momento para lembrar-se de sua total dependência de Deus e fazer um verdadeiro apelo por perdão.

P: É necessário jejuar segundo a Bíblia?

R: Embora a Bíblia não exija que todos jejuem, ela apresenta o jejum como uma valiosa disciplina espiritual (Mateus 9,14-15). A prática é recomendada para buscar a Deus, como expressão de arrependimento e em preparação para atividades espirituais significativas.

P: O que é o verdadeiro jejum segundo a Bíblia?

R: Buscar a presença de Deus e obedecer à Sua vontade, muitas vezes acompanhado de oração na igreja e boas ações, é a definição bíblica do verdadeiro jejum.

P: Qual é o versículo bíblico mais poderoso sobre o jejum?

R: Mateus 6,17-18 é um dos versículos mais poderosos sobre o jejum na Bíblia, onde Jesus ensina: “Mas você, quando jejuar, unja a cabeça e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que está em segredo; e seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará.” Este versículo transmite a essência do jejum com o coração e a motivação corretos para Deus somente, em vez de buscar a aprovação dos homens.

 

 

P: Quais são os verdadeiros versículos bíblicos sobre o jejum?

R: Alguns dos versículos bíblicos sobre o verdadeiro jejum são:

Mateus 6,16-18, que ensina a jejuar com as intenções corretas.

Mateus 9,14-15, onde Jesus explica o momento adequado para jejuar.

Lucas 2,36-37, que destaca a vida de jejum e oração de Ana.

P: Que tipo de jejum a Bíblia recomenda?

R: A Bíblia incentiva o jejum com as intenções corretas, focando no crescimento espiritual e em ajudar os necessitados.

Esses versículos bíblicos indicam claramente a importância e o papel do jejum na fé cristã. Tem sido uma prática mantida e adotada por crentes ao longo das gerações, conferindo-lhe relevância e um lugar vital na vida espiritual hoje.

Desde os tempos de Adão, o povo de Deus jejua para tentar aproximar-se mais Dele e adorá-Lo. Jesus mostrou a importância do jejum por Seu próprio exemplo (ver Lucas 4,1–4). Por meio de revelação moderna, sabemos que o Senhor ainda espera que Seu povo jejue e ore frequentemente.

Jejuar significa não comer nem beber. Jejuar de vez em quando faz bem para o corpo e ajuda a mente a ficar mais ativa.

O Salvador nos ensinou que o jejum com propósito é mais do que apenas ficar sem comer e beber. Precisamos concentrar-nos também em assuntos espirituais.

 

 

Devemos Orar Quando Jejuamos

A oração é uma parte necessária do jejum. Nas escrituras, as referências ao jejum mencionam sempre a oração. Nosso jejum deve sempre ser acompanhado de oração sincera, e também devemos iniciar e encerrar o jejum com uma oração.

O jejum serve para buscarmos a Deus. Renunciamos a comida por algum tempo para focarmos em Deus. Procuramos alimentar o espírito, ignorando as coisas que normalmente chamam nossa atenção, como comida. Através do jejum dizemos que dependemos totalmente de Deus.

O tempo de jejum serve para orarmos e buscarmos a orientação de Deus. Na Bíblia, jejum também é um sinal de tristeza ou arrependimento. O jejum fortalece espiritualmente e pode nos aproximar de Deus

 

Fonte: https://formacao.cancaonova.com/liturgia/tempo-liturgico/quaresma/qual-diferenca-entre-jejum-e-penitencia/

 

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