A invocação à Nossa Senhora do Carmo está ligada à primeira aparição da Virgem Maria para a humanidade. Segundo a história, por volta do ano de 850 a.c, enquanto o profeta Elias rezava, no Monte Carmelo – Israel, pedindo a Deus ajuda para o povo que enfrentava uma grande seca, surge ao longe uma pequena nuvem com a imagem da Virgem, trazendo a chuva que salvaria o povo de Israel. Mas, é importante frisar que esta história contada envolvendo a aparição de Nossa Senhora ao profeta Elias não possui nenhuma comprovação histórica por parte da tradição da Igreja Católica, trata-se apenas de uma ideia devocional que surgiu e foi reproduzida.
Esse fato, que aconteceu muito antes da escolha da jovem Maria para ser a Mãe do Cristo, nos faz refletir que desde muito tempo a Mãe de Deus está ao nosso lado e, assim como Ela veio ao socorro do povo de Israel, também viria para ser a porta da salvação do mundo, ao conceber e dar a luz à grande chuva de graças e redenção, o próprio Jesus.
Tempos mais tarde, por volta dos séculos XI e XII, os discípulos de Elias, em honra à lembrança da visão do profeta, fundam uma congregação no Monte Carmelo em homenagem à Mãe do Messias. De acordo com uma tradição, os membros dessa congregação, no dia de Pentecostes, abraçaram o Cristianismo e erigiram neste local um Santuário à Nossa Senhora. Surgia então, a primeira Ordem dos Carmelitas, nomeada de Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.
Mas, no início, a vida dos Carmelitas não foi fácil, eles foram perseguidos e, possivelmente no fim do século XII, tiveram que fugir para a Europa. No entanto, lá também enfrentaram resistência por parte de outras Ordens Religiosas, que começaram a hostilizá-los e satiriza-los por conta da maneira que se vestiam.
Já no século XIII, ano de 1225, o inglês Simão Stock se torna um Carmelita e no ano seguinte, viaja para Roma com objetivo de falar com o papa, na época Honório III, a fim de pedi-lo que aprovasse a Ordem do Carmo. E foi exatamente no ano de 1226, depois de a própria Nossa Senhora apareceu ao papa, que Simão Stock recebe a aprovação pelos Carmelitas.
Apesar das perseguições, Nossa Senhora sempre mostrou uma predileção especial pela primeira Ordem erigida em seu louvor e, por isso, enquanto São Simão Stock rezava pedindo proteção, a Virgem apareceu para ele rodeada de uma multidão de anjos e trazendo nas mãos o Escapulário. Era o dia 16 de Julho de 1251.
Ao entregar o Escapulário ao Carmelita, Nossa Senhora lhe prometeu:
“Recebe diletíssimo filho este Escapulário de tua Ordem como sinal de distintivo e marca do privilégio que eu obtive para Ti e para todos os filhos do Carmelo. É um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, a aliança da Paz e uma proteção sempre eterna. Quem quer que morrer vestido com ele será preservado do fogo eterno”. (Palavras de Nossa Senhora a São Simão Stock)
Em 1314, a Virgem apareceu também ao papa João XXII e novamente promete proteção aos seus filhos que levarem com devoção o seu Escapulário:
“Eu tirarei do purgatório, no primeiro sábado após a morte, aquele que levar com devoção o meu Escapulário, E, por isso, o papa publicou uma bula sabatina estabelecendo as condições e privilégios do uso do Escapulário”. (Palavras de Nossa Senhora ao papa João XXII)
MAS, O QUE É O ESCAPULÁRIO?
“O Escapulário é sinal de aliança entre Maria e os fiéis. Traduz concretamente a entrega, na cruz, de Maria ao discípulo João”.
(Papa João Paulo II)
Do latim “scapula”, que quer dizer “proteção” ou “armadura”, a palavra Escapulário é o nome dado ao manto ou hábito que os Carmelitas usam sobre os ombros, simbolizando a promessa de proteção, assistência e salvação feita por Nossa Senhora a São Simão Stock. Hoje, nós cristãos leigos também podemos usar o Escapulário em forma de medalhinhas, onde temos a imagem de Nossa Senhora do Carmo em um dos extremos e, no outro, a imagem do Sagrado Coração de Jesus.
É importante entender que o Escapulário não pode ser visto como um amuleto de sorte, um adorno da moda ou simplesmente uma superstição. Ele deve ser tido como um sinal da aliança, obediência, humildade e amor que o nosso coração tem à Maria. Quem faz o seu uso, mostra que procura imitar as virtudes de Nossa Senhora.
“Não é um amuleto ou um talismã, mas um sinal de salvação. Significa estar cobertos pela sua graça, pelos seus dons. Se hoje dizemos ‘quero o Escapulário’, acreditamos receber este sinal de salvação que nos leva às virtudes de Maria, nos ajuda a tentar viver como Ela”. (Padre Agostino Farcas, pároco da Igreja de Santa Maria do Carmo no bairro Mostacciano de Roma)
COMO FAZER O USO DEVIDO DO ESCAPULÁRIO?
Primeiramente, é necessário que recebamos o Escapulário pelas mãos de um sacerdote ou diácono. Ou seja, por meio de uma imposição, esse símbolo é abençoado e ao ser colocado no pescoço do fiel, este passa a fazer parte da Ordem Carmelita. Assim, se algum dia esse Escapulário, que é tradicionalmente feito de tecido, se desgastar, ele pode ser substituído e, nestas situações, não é preciso que uma nova imposição seja realizada, pois a benção recebida permanece com o fiel.
Além disso, outras condições também são estabelecidas pela Igreja Católica para o uso adequado do Escapulário. São elas:
É recomendado ao fiel a reza diária de alguma oração mariana, seja ela um terço, sete Ave-Marias, Sete Pai-nosso e Sete Glórias ao Pai.
Assim como Nossa Senhora, é preciso buscar a observância das virtudes, sobretudo a castidade, própria do seu estado.
E, é recomendado também, que sejam rezadas as Horas Marianas. (Aqueles que por algum motivo, trabalho ou estudo, não puder fazê-las, pode estar realizando outra prática equivalente, como a abstinência de carne às quartas-feiras e aos sábados).
Veja mais aqui: https://padrepauloricardo.org/blog/o-escapulario-de-nossa-senhora-do-carmo
Fonte: https://www.aves.org.br/a-origem-do-escapulario-de-nossa-senhora-do-carmo-e-seu-poder-de-protecao/